Prévia do 3T26: SRAG em julho e avanço dos registros de GLP-1
Os balanços do 3º trimestre saem em outubro e novembro, mas os dados abertos já cobrem boa parte dele. Nas operadoras, o alívio respiratório do 2º trimestre não se repetiu onde está a maior parte das carteiras: em julho, os casos de SRAG no Sudeste e no Sul ficaram perto dos de 2025, com mais bebês internados. Nas farmácias, as vendas de GLP-1 de julho e agosto estão 35% acima das do 2º trimestre, mas com preços em queda; esses recortes não permitem estimar a receita da categoria.
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Principais conclusões
A nota em 30 segundos
A trégua da gripe ficou no Norte e no Nordeste.
No 2º trimestre, os casos de SRAG hospitalizados caíram 21% sobre 2025. Em julho (semanas 27 a 31), a queda foi de 12% no país, 38% no Nordeste e só 3% no Sudeste e 5% no Sul, onde vivem 74% dos beneficiários de planos. Entre crianças de 0 a 4 anos, julho teve mais casos que em 2025 no Sudeste (+24%) e no Sul (+17%).
O 3º trimestre costuma repetir o 2º.
De 2019 a 2025 (sem 2020), a sinistralidade do mercado no 3º trimestre ficou, na mediana, +0,2 p.p. da do 2º.
Mais volume registrado.
As farmácias venderam 35% mais GLP-1 em julho e agosto que na média do 2º trimestre: semaglutida +73%, tirzepatida +15%. Em agosto, 45% do volume equivalente de semaglutida injetável estava no grupo atribuído a fabricantes nacionais. Não há base conciliada para estimar a receita da categoria a partir desses volumes.
Operadoras: a gripe de julho
O SIVEP-Gripe, sistema do Ministério da Saúde, registra todo caso de síndrome respiratória aguda grave (SRAG) internado, em hospital público ou privado. Com oito semanas de folga para a digitação, a base de 28 de setembro já fecha julho. O ano segue abaixo de 2025, mas acima de 2024.
Faixa: semanas 27 a 39, o 3º trimestre. 2026 até a semana 31; as semanas 32 a 39 ainda estão sendo digitadas. Inclui hospitais públicos e privados.
Fonte: Ministério da Saúde, SIVEP-Gripe (microdados SRAG, edição de 28/09/2026). Elaboração Hint-data.
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| Semana | 2024 | 2025 | 2026 |
|---|---|---|---|
| 1 | 3131 | 3467 | 3065 |
| 2 | 2701 | 3302 | 3010 |
| 3 | 2752 | 3038 | 2693 |
| 4 | 2643 | 2974 | 2600 |
| 5 | 3140 | 2800 | 2479 |
| 6 | 3560 | 3132 | 3091 |
| 7 | 4121 | 3925 | 3507 |
| 8 | 4991 | 4281 | 4331 |
| 9 | 5562 | 4376 | 4410 |
| 10 | 5410 | 4274 | 5715 |
| 11 | 5718 | 4344 | 5805 |
| 12 | 5358 | 4932 | 6101 |
| 13 | 5311 | 5371 | 5779 |
| 14 | 6647 | 6219 | 6197 |
| 15 | 6953 | 6652 | 6796 |
| 16 | 7423 | 7170 | 7136 |
| 17 | 7270 | 8236 | 7538 |
| 18 | 7209 | 9900 | 7341 |
| 19 | 6616 | 11233 | 7434 |
| 20 | 6789 | 12376 | 8998 |
| 21 | 6666 | 13153 | 9052 |
| 22 | 6371 | 12421 | 8688 |
| 23 | 6496 | 13029 | 8969 |
| 24 | 6478 | 11260 | 8535 |
| 25 | 6224 | 10483 | 8575 |
| 26 | 5460 | 8817 | 7749 |
| 27 | 5869 | 8405 | 7852 |
| 28 | 4900 | 7991 | 7094 |
| 29 | 4853 | 6946 | 6071 |
| 30 | 4347 | 6331 | 5260 |
| 31 | 4391 | 5517 | 4633 |
| 32 | 4728 | 5426 | — |
| 33 | 5301 | 6010 | — |
| 34 | 5674 | 5901 | — |
| 35 | 5183 | 5428 | — |
| 36 | 5705 | 5499 | — |
| 37 | 5234 | 5604 | — |
| 38 | 4942 | 5704 | — |
| 39 | 4419 | 5116 | — |
| 40 | 4494 | 5496 | — |
| 41 | 4255 | 5352 | — |
| 42 | 4196 | 5314 | — |
| 43 | 4226 | 5168 | — |
| 44 | 4183 | 5220 | — |
| 45 | 3871 | 4791 | — |
| 46 | 4022 | 4943 | — |
| 47 | 3978 | 4622 | — |
| 48 | 3897 | 4227 | — |
| 49 | 4270 | 4440 | — |
| 50 | 3992 | 4058 | — |
| 51 | 3535 | 3496 | — |
| 52 | 3219 | 2897 | — |
A queda não foi igual no país. No 2º trimestre, os casos caíram cerca de um quarto no Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste. Em julho, a diferença para 2025 quase sumiu no Sudeste e no Sul, justamente as regiões onde está a maior parte dos planos. O vírus sincicial respiratório (VSR), que causa a bronquiolite em bebês, chegou mais tarde: foram 8.080 casos com VSR confirmado em julho, contra 7.086 em 2025. Internação de bebê, sobretudo em UTI pediátrica, é das mais caras para a operadora. No Nordeste e no Norte, julho foi bem mais leve que em 2025.
2º tri = semanas epidemiológicas 14 a 26; julho = semanas 27 a 31, as mais recentes já completas.
Fonte: Ministério da Saúde, SIVEP-Gripe. Elaboração Hint-data.
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| Região | 2º tri 2025 | 2º tri 2026 | Julho 2025 | Julho 2026 | 0 a 4 anos, julho 2025 | 0 a 4 anos, julho 2026 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Brasil | 130949 | 103008 | 35190 | 30910 | 16208 | 16769 |
| Norte | 7895 | 7080 | 2268 | 1612 | 1330 | 904 |
| Nordeste | 19152 | 17601 | 5796 | 3619 | 3503 | 2194 |
| Centro-Oeste | 14968 | 11231 | 3295 | 2786 | 1344 | 1505 |
| Sudeste | 61323 | 46281 | 14455 | 13996 | 5927 | 7368 |
| Sul | 27611 | 20815 | 9376 | 8897 | 4104 | 4798 |
O que o histórico diz do 3º trimestre
A nota de sazonalidade mostrou que o salto de custo acontece do 1º para o 2º trimestre. Do 2º para o 3º, a sinistralidade do mercado quase não muda: a fatia respiratória das internações cai, mas cirurgias e exames eletivos voltam. Os recortes se comportam de modos diferentes. Na autogestão, o 3º trimestre costuma ser mais caro que o 2º (mediana +2,8 p.p.), com exceção de 2025. Na SulAmérica Saúde, seguradora da Rede D'Or, é mais barato em quase todos os anos (mediana −1,3 p.p.). A medicina de grupo oscila de um ano para outro.
2020 fica fora: o adiamento de procedimentos na pandemia derrubou o 2º trimestre. SulAmérica Saúde: seguradora da Rede D'Or (reg. ANS 006246).
Fonte: ANS, DIOPS (eventos indenizáveis ÷ contraprestações), operadoras médico-hospitalares. Elaboração Hint-data.
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| Recorte | 2019 | 2021 | 2022 | 2023 | 2024 | 2025 |
|---|---|---|---|---|---|---|
| Mercado | +0,65 | +1,51 | +0,29 | −0,09 | −1,08 | +0,19 |
| Medicina de grupo | −0,14 | +0,64 | +4,36 | −1,35 | −1,27 | −2,38 |
| Cooperativa médica | +1,13 | +1,93 | −0,84 | −0,22 | −1,37 | +3,02 |
| Seguradora | +0,27 | +0,85 | −5,61 | +0,13 | −1,04 | +0,55 |
| Autogestão | +2,40 | +3,62 | +6,36 | +3,12 | +0,94 | −2,42 |
| SulAmérica Saúde | −1,59 | −1,28 | −1,42 | −0,61 | +0,31 | −1,34 |
A SRAG reúne hospitais públicos e privados; o TISS registra internações de planos, e o DIOPS agrega também despesas não hospitalares. Essas bases não permitem converter a variação de SRAG em pontos de sinistralidade sem hipóteses adicionais não verificadas.
Farmácias: mais volume registrado
O SNGPC, sistema da Anvisa que reúne vendas escrituradas por farmácias privadas, já tem julho e agosto completos. A semaglutida nacional, à venda desde junho, e o corte de preço da Novo Nordisk (anunciado em 28 de maio) mudaram a composição das vendas. A tirzepatida caiu de 50% para 42% dos tratamentos-mês. A semaglutida da própria Novo também vendeu 11% mais: essa divisão é estimada pela apresentação e não identifica substituição entre marcas.
Volume equivalente padronizado, não pacientes nem duração clínica observada. Fabricante estimado pela apresentação. Retrato até agosto de 2026.
Fonte: Anvisa, SNGPC (dados abertos de medicamentos industrializados). Elaboração Hint-data.
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| Mês | Tirzepatida | Semaglutida, Novo Nordisk | Semaglutida, nacionais | GLP-1 total |
|---|---|---|---|---|
| jan | 369.104 | 249.773 | 0 | 713.267 |
| fev | 361.402 | 216.102 | 0 | 663.703 |
| mar | 414.802 | 300.634 | 0 | 820.190 |
| abr | 389.333 | 285.805 | 0 | 765.212 |
| mai | 417.660 | 361.382 | 0 | 873.777 |
| jun | 464.833 | 327.985 | 44.385 | 924.048 |
| jul | 486.268 | 369.024 | 164.549 | 1.103.186 |
| ago | 485.641 | 350.566 | 290.042 | 1.202.738 |
O crescimento foi maior no Nordeste (+42%) e no Sul (+48%), regiões onde a Pague Menos e a Panvel têm a maior parte das lojas, do que no Sudeste (+31%). O Sul também tem a maior fatia de semaglutida nacional: 48% em agosto, contra 33% no Norte.
Média mensal de julho e agosto contra a média mensal de abril a junho, em tratamentos-mês. O GLP-1 total (inclui semaglutida oral, liraglutida e dulaglutida) está na tabela.
Fonte: Anvisa, SNGPC (UF da farmácia). Elaboração Hint-data.
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| Região | GLP-1 total | Semaglutida injetável | Tirzepatida |
|---|---|---|---|
| Norte | +29,8% | +68,4% | +12,2% |
| Nordeste | +42,0% | +90,4% | +20,3% |
| Centro-Oeste | +26,9% | +68,1% | +9,1% |
| Sudeste | +31,2% | +64,4% | +13,6% |
| Sul | +47,7% | +89,2% | +17,5% |
E a receita? O SNGPC não informa preços. Os preços divulgados pelas redes têm bases e apresentações diferentes. Não combinamos o volume nacional de julho e agosto, o preço de doses altas de uma rede entre maio e julho e o mix de outra companhia para estimar a receita do trimestre.
O que falta
- SRAG de agosto e setembro: as semanas 32 a 39 ainda estão sendo digitadas. As primeiras parciais de agosto vêm abaixo de 2025, mas é cedo para contar.
- SNGPC de setembro: a base tem só o começo do mês.
- TISS e DIOPS: a ANS ainda não publicou o TISS de 2026 nem o DIOPS do 3º trimestre. Quando saírem, esta conta pode ser refeita com o dado dos planos.
- Balanços: operadoras e redes divulgam o 3T26 entre o fim de outubro e novembro. A Hint-data vai comparar o que foi divulgado com o que os dados abertos mostravam.
Metodologia e limitações
- Fontes e recortes: Ministério da Saúde, SIVEP-Gripe (edição de 28/09/2026); ANS, DIOPS e TISS; Anvisa, SNGPC de janeiro a agosto de 2026; documentos das redes arquivados na CVM.
- Períodos: as janelas de semanas epidemiológicas são aproximações de trimestre e julho, não meses civis exatos. Séries respiratórias incluem hospitais públicos e privados; não identificam pagador.
- Comparabilidade: volume padronizado no SNGPC não equivale a caixas, pacientes ou receita. A divisão por fabricante é estimada pela apresentação. Não projetamos receita nem atribuímos variações da sinistralidade à SRAG.
- Retrato das informações disponíveis na data original, sujeito a revisão das fontes.
Correções
11/10/2026: revisados perímetros, unidades, cobertura e limites de interpretação; retiradas inferências não sustentadas pelas bases.
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