Operadoras: a conta da gripe chega no 2º trimestre, e no Sul, no 3º
Na média de 2022 a 2025, a sinistralidade das operadoras sobe do primeiro para o segundo trimestre. As internações respiratórias nos planos atingem o pico em maio, mas os dados não medem sua contribuição financeira para essa alta. O calendário muda com a região: no Nordeste, o trimestre mais caro é o segundo; no Sul, o terceiro. Em 2026, a temporada de SRAG foi 15% menor que a de 2025.
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Principais conclusões
A nota em 30 segundos
O segundo trimestre custa mais.
De 2022 a 2025, a sinistralidade das operadoras médico-hospitalares ficou, em média, 2,2 p.p. abaixo da do ano no 1º trimestre e 2,0 p.p. acima no 2º.
A gripe tem endereço.
Nos planos, as internações respiratórias atingem o pico em maio em todas as regiões, mas no Sul seguem altas em julho (índice 131) e agosto (112). Na sinistralidade, o Nordeste sente mais no 2º trimestre (+3,4 p.p.) e o Sul no 3º (+3,9 p.p.).
2026, um inverno mais leve que 2025.
Entre as semanas 10 e 30, os casos de SRAG hospitalizados caíram 15% e o pico semanal, 31%. A sinistralidade do mercado no 2º trimestre foi 81,6%, contra 82,7% em 2025, e o salto sobre o 1º trimestre, 3,6 p.p., contra 4,8 p.p.
O calendário da gripe nos planos
O TISS, base de internações que as operadoras enviam à ANS, mostra quando o sistema privado lota. Em todas as regiões, o mês de maior volume de internações por influenza, pneumonia e bronquiolite é maio. O Norte sobe primeiro (índice 141 já em abril) e desce primeiro. O Sul demora mais para esvaziar: junho, julho e agosto ainda ficam acima da média.
Cada célula compara o mês com a média mensal do ano na mesma região: 146 é 46% acima da média.
Fonte: ANS, TISS hospitalar (internações por CID J09–J18, J00–J06 e J20–J22, UF do prestador), média de 2022 a 2025. Elaboração Hint-data.
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| Região | jan | fev | mar | abr | mai | jun | jul | ago | set | out | nov | dez |
|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|---|
| Norte | 81 | 67 | 116 | 141 | 146 | 128 | 100 | 87 | 89 | 91 | 75 | 79 |
| Nordeste | 66 | 60 | 97 | 126 | 145 | 130 | 104 | 95 | 97 | 104 | 97 | 79 |
| Centro-Oeste | 77 | 74 | 108 | 121 | 134 | 124 | 96 | 93 | 102 | 97 | 88 | 87 |
| Sudeste | 71 | 67 | 96 | 121 | 139 | 130 | 110 | 100 | 96 | 99 | 92 | 80 |
| Sul | 58 | 52 | 80 | 114 | 146 | 142 | 131 | 112 | 105 | 98 | 85 | 77 |
O que isso faz com a sinistralidade
Sinistralidade é a parcela das mensalidades gasta com atendimento: eventos indenizáveis divididos por contraprestações, o indicador da ANS. Esse é o perfil médio do recorte de 2022 a 2025; a trajetória de cada ano pode divergir.
Faixas: 2º e 3º trimestres. O eixo não parte do zero. Em 2020, a queda do 2º trimestre é o adiamento de procedimentos na pandemia.
Fonte: ANS, DIOPS. Elaboração Hint-data.
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| Trimestre | Sinistralidade (%) |
|---|---|
| 1T2019 | 79,2 |
| 2T2019 | 83,8 |
| 3T2019 | 84,4 |
| 4T2019 | 80,6 |
| 1T2020 | 78,1 |
| 2T2020 | 63,2 |
| 3T2020 | 75,1 |
| 4T2020 | 80,8 |
| 1T2021 | 79,5 |
| 2T2021 | 85,5 |
| 3T2021 | 87,0 |
| 4T2021 | 86,3 |
| 1T2022 | 84,4 |
| 2T2022 | 90,0 |
| 3T2022 | 90,3 |
| 4T2022 | 86,1 |
| 1T2023 | 85,8 |
| 2T2023 | 87,9 |
| 3T2023 | 87,8 |
| 4T2023 | 84,2 |
| 1T2024 | 82,0 |
| 2T2024 | 86,2 |
| 3T2024 | 85,1 |
| 4T2024 | 80,5 |
| 1T2025 | 78,0 |
| 2T2025 | 82,7 |
| 3T2025 | 82,9 |
| 4T2025 | 81,3 |
| 1T2026 | 78,0 |
| 2T2026 | 81,6 |
O perfil muda com a região da sede da operadora. No Sul e no Centro-Oeste, o trimestre mais caro é o 3º; no Nordeste e no Sudeste, o 2º. O Norte foge do padrão: o 4º trimestre fica acima da média (+1,8 p.p.), embora o pico respiratório lá seja em abril e maio; a carteira da região é pequena e oscila mais.
A região é a da sede da operadora, não a do beneficiário: operadoras nacionais sediadas no Sudeste levam carteiras de todo o país.
Fonte: ANS, DIOPS (eventos indenizáveis ÷ contraprestações), operadoras médico-hospitalares, média de 2022 a 2025. Elaboração Hint-data.
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| Região | 1º tri | 2º tri | 3º tri | 4º tri |
|---|---|---|---|---|
| Norte | −3,4 | +0,5 | +0,6 | +1,8 |
| Nordeste | −1,5 | +3,4 | +1,3 | −3,1 |
| Centro-Oeste | −1,5 | +1,6 | +3,5 | −3,3 |
| Sudeste | −1,9 | +1,9 | +1,5 | −1,5 |
| Sul | −4,9 | +1,5 | +3,9 | −0,7 |
| Mercado | −2,2 | +2,0 | +1,8 | −1,7 |
Análise
O que podemos medir? Em 2025, a participação respiratória nas diárias de internação passou de 3,6% no primeiro trimestre para 6,3% no segundo. Diárias hospitalares não equivalem a despesa assistencial total, que inclui outros atendimentos. Por isso não atribuímos uma fração do salto da sinistralidade à gripe.
E as operadoras listadas? Uma carteira nacional dilui o calendário regional. A SulAmérica Saúde, seguradora da Rede D'Or, tem perfil quase plano: −1,2, +0,8, +0,0, +0,2 p.p. do 1º ao 4º trimestre (média de 2022 a 2025). A Amil, medicina de grupo, oscila mais: um 3º trimestre de 2022 11 p.p. acima da média do ano puxa a média para o 3º (+3,7 p.p.); de 2023 a 2025, o 2º e o 3º trimestres pesaram parecido. No 2º trimestre de 2026, a sinistralidade da SulAmérica Saúde no DIOPS foi 79,2% (87,7% um ano antes) e a da Amil, 78,9% (78,7%). Resultado de operadora depende também de reajuste, rede própria e provisões; a sazonalidade é uma das forças, não a única.
2026: menos SRAG
O SIVEP-Gripe, sistema do Ministério da Saúde que reúne notificações de síndrome respiratória aguda grave hospitalizada, já cobre a temporada de 2026. Ela foi mais branda que a de 2025, mas não fraca: ficou acima de 2024.
2026 até a semana 35: as semanas 36 a 43 ainda estão sendo digitadas e ficam fora. Inclui hospitais públicos e privados.
Fonte: Ministério da Saúde, SIVEP-Gripe (microdados SRAG 2019–2026, edição de 28/09/2026). Elaboração Hint-data.
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| Semana | 2024 | 2025 | 2026 |
|---|---|---|---|
| 1 | 3131 | 3470 | 3064 |
| 2 | 2701 | 3303 | 3011 |
| 3 | 2752 | 3040 | 2689 |
| 4 | 2643 | 2975 | 2598 |
| 5 | 3140 | 2801 | 2476 |
| 6 | 3560 | 3132 | 3090 |
| 7 | 4121 | 3925 | 3502 |
| 8 | 4991 | 4282 | 4331 |
| 9 | 5562 | 4376 | 4415 |
| 10 | 5410 | 4275 | 5722 |
| 11 | 5718 | 4345 | 5807 |
| 12 | 5358 | 4932 | 6104 |
| 13 | 5311 | 5372 | 5775 |
| 14 | 6647 | 6219 | 6206 |
| 15 | 6953 | 6653 | 6801 |
| 16 | 7423 | 7171 | 7134 |
| 17 | 7270 | 8238 | 7550 |
| 18 | 7209 | 9902 | 7355 |
| 19 | 6616 | 11238 | 7448 |
| 20 | 6789 | 12377 | 9016 |
| 21 | 6666 | 13153 | 9077 |
| 22 | 6371 | 12422 | 8735 |
| 23 | 6496 | 13031 | 9033 |
| 24 | 6478 | 11264 | 8578 |
| 25 | 6224 | 10484 | 8623 |
| 26 | 5460 | 8818 | 7831 |
| 27 | 5869 | 8406 | 7922 |
| 28 | 4900 | 7991 | 7135 |
| 29 | 4853 | 6948 | 6093 |
| 30 | 4347 | 6332 | 5302 |
| 31 | 4391 | 5517 | 4724 |
| 32 | 4728 | 5429 | 4476 |
| 33 | 5301 | 6012 | 4492 |
| 34 | 5674 | 5901 | 4579 |
| 35 | 5183 | 5427 | 4276 |
| 36 | 5705 | 5503 | — |
| 37 | 5234 | 5605 | — |
| 38 | 4942 | 5705 | — |
| 39 | 4419 | 5116 | — |
| 40 | 4494 | 5497 | — |
| 41 | 4255 | 5353 | — |
| 42 | 4196 | 5316 | — |
| 43 | 4226 | 5169 | — |
| 44 | 4183 | 5221 | — |
| 45 | 3871 | 4792 | — |
| 46 | 4022 | 4944 | — |
| 47 | 3978 | 4623 | — |
| 48 | 3897 | 4228 | — |
| 49 | 4270 | 4442 | — |
| 50 | 3992 | 4062 | — |
| 51 | 3535 | 3495 | — |
| 52 | 3219 | 2899 | — |
Entre as semanas 10 e 30, foram 153.247 casos em 2026, contra 179.571 em 2025 e 128.368 em 2024. O vírus sincicial respiratório (VSR), principal causa de bronquiolite em bebês, respondeu por 24% dos casos de 2026 (26% em 2025); a influenza, por 16% (18%). A queda foi maior no Sudeste, no Sul e no Centro-Oeste, onde está a maior parte das carteiras de planos (89% das contraprestações de 2025, pela sede das operadoras).
Fonte: Ministério da Saúde, SIVEP-Gripe. Elaboração Hint-data.
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| Região | 2025 | 2026 | Variação |
|---|---|---|---|
| Norte | 11258 | 10449 | −7,2% |
| Nordeste | 26837 | 25811 | −3,8% |
| Centro-Oeste | 20819 | 16982 | −18,4% |
| Sudeste | 81900 | 68015 | −17,0% |
| Sul | 38757 | 31990 | −17,5% |
O SUS aponta na mesma direção, com ressalva. As internações por influenza, pneumonia e bronquiolite atendidas em maio de 2026 somaram 78.961, contra 113.085 em maio de 2025 (−30%), mas os meses recentes ainda recebem internações processadas com atraso; em março e abril, já mais completos, a diferença é de −2%. A principal evidência de uma temporada mais leve é a SRAG. Os dados de 2026 dos planos (TISS) ainda não foram publicados pela ANS.
Metodologia e limitações
- Fontes: ANS, TISS hospitalar e DIOPS; Ministério da Saúde, SIVEP-Gripe e SIH/SUS. O perfil sazonal usa 2022 a 2025; as comparações de 2026 respeitam as janelas identificadas nas figuras.
- Perímetros: no TISS, a região é a do prestador; no DIOPS, a da sede da operadora; na SRAG, a de residência. Esses recortes não identificam as mesmas pessoas.
- Limitações: diárias hospitalares não equivalem à despesa assistencial total. A coincidência sazonal não mede contribuição causal ou financeira da gripe. As bases recebem registros atrasados e revisões; semanas recentes da SRAG ficam fora.
- Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.
Correções
11/10/2026: revisados perímetros, unidades, cobertura e limites de interpretação; retiradas inferências não sustentadas pelas bases.
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