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Saúde›Farma e varejo·28 SET 2026

Farmácias: a semaglutida vende um terço a mais, e o preço come quase todo o ganho

Do primeiro para o segundo trimestre, o volume de semaglutida nas farmácias cresceu 33%, segundo o SNGPC. Na RD Saúde e na Panvel, o preço médio caiu 22% e a receita da molécula ficou praticamente estável; na Pague Menos, o preço caiu cerca de 40% e o volume dobrou. As canetas já respondem por 8% a 11% das vendas de Pague Menos e Panvel, pressionam a margem e, em julho e agosto, venderam ainda mais.

Nesta nota
  1. Principais conclusões
  2. Volume: as redes acompanham o mercado
  3. Análise
  4. Geografia: o Sul lidera
  5. Indústria: quem entrou
  6. Metodologia e limitações
  7. Correções

Principais conclusões

A nota em 30 segundos

01

Mais volume registrado, com menor preço nas redes.

O volume de semaglutida injetável cresceu 33% do 1T26 para o 2T26 no SNGPC. Na RD Saúde, o índice de preço da molécula caiu para 78 e o de receita ficou em 100 (1T26 = 100). Na Panvel, preço −22,1%, quantidade +33,4% e receita +3,9%.

02

Quase um em cada dez reais.

O GLP-1 foi 11,3% da receita bruta do varejo da Panvel e 8,2% das vendas da Pague Menos no 2T26. A RD Saúde atribuiu ao mix de GLP-1 uma pressão de 0,4 p.p. na margem bruta do 1T26.

03

O terceiro trimestre começou maior.

Em julho e agosto, a média mensal de semaglutida injetável no SNGPC foi de 590 mil tratamentos-mês, 73% acima da média do 2T26. Na Pague Menos, o preço médio da semaglutida em julho estava 50% abaixo do 1T26.

Volume: as redes acompanham o mercado

O SNGPC reúne vendas escrituradas por farmácias privadas. O dado depende de transmissão e não comprova cobertura integral do mercado. O volume padronizado do SNGPC e as quantidades das redes têm unidades e perímetros diferentes.

Variação da quantidade vendida de GLP-1 do 1º para o 2º trimestre de 2026
05101520253035SemaglutidaRD Saúde (implícito) · Semaglutida: +28%+28%Panvel · Semaglutida: +33%+33%Mercado (SNGPC) · Semaglutida: +33%+33%TirzepatidaRD Saúde (implícito) · Tirzepatida: +13%+13%Panvel · Tirzepatida: +7%+7%Mercado (SNGPC) · Tirzepatida: +11%+11%GLP-1 totalRD Saúde (implícito) · GLP-1 total: +16%+16%Panvel · GLP-1 total: +14%+14%Mercado (SNGPC) · GLP-1 total: +17%+17%RD Saúde (implícito)PanvelMercado (SNGPC)

RD Saúde: quantidade implícita pelos índices de receita e preço. SNGPC: volume equivalente padronizado; não caixas. Comparação indicativa, com coberturas distintas.

Fonte: CVM/IPE: apresentações de resultados 2T26 de RD Saúde (p. 14) e Panvel (p. 24). Anvisa, SNGPC. Elaboração Hint-data.

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MoléculaRD Saúde (implícito)PanvelMercado (SNGPC)
Semaglutida+28,2%+33,4%+33,0%
Tirzepatida+13,1%+7,0%+11,0%
GLP-1 total+16,1%+13,9%+16,7%
RD Saúde (implícito) Panvel Mercado (SNGPC)
Semaglutida +28,2% +33,4% +33,0%
Tirzepatida +13,1% +7,0% +11,0%
GLP-1 total +16,1% +13,9% +16,7%

A RD Saúde não divulga quantidade; o número implícito é o índice de receita dividido pelo de preço. As três fontes contam a mesma história: a semaglutida cresceu de duas a quase cinco vezes mais que a tirzepatida nas medidas de volume de cada fonte, que não são diretamente equivalentes, no trimestre em que a fabricante original anunciou preços até 50% menores (28 de maio) e a primeira versão nacional chegou às farmácias (junho).

Queda do preço médio do GLP-1 do 1º para o 2º trimestre de 2026
0510152025SemaglutidaQueda do preço médio, RD Saúde · Semaglutida: 22%22%Queda do preço médio, Panvel · Semaglutida: 22%22%TirzepatidaQueda do preço médio, RD Saúde · Tirzepatida: 1%1%Queda do preço médio, Panvel · Tirzepatida: 4%4%GLP-1 totalQueda do preço médio, RD Saúde · GLP-1 total: 7%7%Queda do preço médio, Panvel · GLP-1 total: 10%10%Queda do preço médio, RD SaúdeQueda do preço médio, Panvel

Fonte: CVM/IPE: apresentações de resultados 2T26 de RD Saúde (p. 14) e Panvel (p. 24). Elaboração Hint-data.

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MoléculaRD Saúde (índice, 1T26 = 100)Panvel (variação)
Semaglutida78−22,1%
Tirzepatida99−4%
GLP-1 total93−10,1%

Análise

Por que a receita não acompanhou? Porque o preço caiu quase na mesma proporção em que o volume subiu. Na RD Saúde, a receita de semaglutida ficou estável; a da tirzepatida, cujo preço quase não mudou (índice 99), cresceu 12%. A tirzepatida já era 70% da receita de GLP-1 da rede no 2T26. Na Pague Menos, a contribuição do GLP-1 para o crescimento das vendas caiu de 6,5 p.p. no 1T26 para 3,2 p.p. no 2T26, e a fatia da categoria nas vendas recuou de 9,1% para 8,2%. Ali, segundo o release do 2T26, o preço médio da semaglutida caiu cerca de 40% e o volume dobrou, o que implica receita maior da molécula: a exceção entre as redes que abrem o dado.

Participação do GLP-1 nas vendas da Pague Menos (%)
0%2%4%6%8%10%12%1T25: 3,9%3,9%2T25: 5,8%5,8%3T25: 7,1%7,1%4T25: 9,2%9,2%1T26: 9,1%9,1%2T26: 8,2%8,2%jul/26: 8,5%8,5%1T252T253T254T251T262T26jul/26

jul/26 é um mês (até 29 de julho), não um trimestre, como divulgado pela companhia.

Fonte: CVM/IPE: Pague Menos, apresentação de resultados 2T26 (p. 9). Elaboração Hint-data.

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Período% das vendas
1T253,9
2T255,8
3T257,1
4T259,2
1T269,1
2T268,2
jul/268,5

E a margem? A categoria tem tíquete alto e margem abaixo da média. A RD Saúde informou margem bruta de 28,3% no 1T26, com pressão de 0,4 p.p. atribuída ao mix de GLP-1. A Panvel apontou os medicamentos de marca, que ganharam 1,4 p.p. de participação no mix puxados pelo GLP-1, como fonte de pressão na margem bruta do 2T26. Na teleconferência do 2T26, o diretor financeiro da Pague Menos citou margem próxima de 17% no medicamento de referência e disse que o lucro por unidade diminuiu com a queda de preço. Cerca de 60% das vendas de GLP-1 da rede passam pelo canal digital.

E o terceiro trimestre? O SNGPC já cobre julho e agosto. O volume total de GLP-1 foi de 1,16 milhão de tratamentos-mês por mês, 35% acima da média do 2T26; a semaglutida injetável, 73%; a tirzepatida, 15%. Os preços continuaram caindo: a Pague Menos informou semaglutida com preço 50% menor e volume 155% maior em julho do que no 1T26, e tirzepatida nas doses mais altas com preço 23% menor e volume 60% maior do que em maio.

Geografia: o Sul lidera

A semaglutida nacional não avançou mais onde a renda é menor. Em agosto, ela era 48% do volume equivalente de semaglutida no Sul e 33% no Norte. O Sul também foi a região em que o GLP-1 mais cresceu desde janeiro (+102%) e a que tem a menor fatia de tirzepatida (34%).

Semaglutida: participação estimada das apresentações nacionais, agosto de 2026
RO: 31%AC: 31%AM: 30%RR: 18%PA: 37%AP: 14%TO: 41%MA: 27%PI: 34%CE: 36%RN: 41%PB: 44%PE: 39%AL: 42%SE: 45%BA: 45%MG: 47%ES: 24%RJ: 41%SP: 49%PR: 48%SC: 47%RS: 49%MS: 22%MT: 35%GO: 49%DF: 55%ROACAMRRPAAPTOMAPICEBAMGESRJSPPRSCRSMSMTGODFRNPBPEALSE14%–30%30%–36%36%–42%42%–47%47%–55%

Classes por quintil entre as 27 UFs. Fabricante estimado pela apresentação; não é participação verificada por marca.

Fonte: Anvisa, SNGPC (fabricante inferido pela apresentação). Elaboração Hint-data.

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UF% nacional
DF55
RS49
SP49
GO49
PR48
SC47
MG47
BA45
SE45
PB44
AL42
RJ41
TO41
RN41
PE39
PA37
CE36
MT35
PI34
AC31
RO31
AM30
MA27
ES24
MS22
RR18
AP14
Região Semaglutida nacional (% do volume equivalente, ago) GLP-1, ago × jan Tirzepatida (% do GLP-1, ago) Tratamentos-mês por mil hab. (ago)
Norte 33% +68% 45% 1,9
Nordeste 40% +69% 40% 3,0
Sudeste 46% +63% 41% 7,8
Sul 48% +102% 34% 6,9
Centro-Oeste 47% +61% 47% 5,4

O mapa importa para as redes porque a presença delas é regional. A Panvel informou participação de 23,6% no mercado de GLP-1 do Sul e 4,4% no Brasil (Investor Day de fevereiro); a Pague Menos, cerca de 11% no país (IQVIA, jan/25 a abr/26).

Indústria: quem entrou

Das farmacêuticas listadas, a Hypera é a única com semaglutida registrada (Zempneo, pela Brainfarma, e Semavy, pela Cosmed, ambas de 29 de julho). No release do 2T26, a companhia estimou o mercado de análogos de GLP-1 em R$ 13,1 bilhões nos 12 meses anteriores (IQVIA); na teleconferência do mesmo trimestre, falou em R$ 15 bilhões. A Biomm tem desde 2024 um acordo para comercializar semaglutida, mas não há registro do produto na base da Anvisa, e as apresentações de resultados de 2026 não tratam do tema. A Blau não menciona GLP-1 nos documentos do 1T26 e do 2T26.

Em agosto, as versões nacionais somaram 292 mil tratamentos-mês no SNGPC. As registradas em 29 de julho ainda dependiam de preço na CMED (a Hypera previa vendas só em setembro), de modo que o volume nacional até agosto provavelmente veio do grupo da primeira fabricante a lançar, de capital fechado. O SNGPC não identifica a marca e não permite confirmar.

Quanto vale o mercado? A Profarma, que distribui medicamentos, divulgou o tamanho do mercado segundo a consultoria CloseUp: R$ 1,8 bilhão no 1T25 e R$ 4,0 bilhões no 1T26 (R$ 2,6 bi de tirzepatida e R$ 1,3 bi de semaglutida, a preço de farmácia). As coberturas de CloseUp e SNGPC não foram conciliadas; dividir essas bases não produz um preço observado por tratamento. Segundo a mesma apresentação, com dados da IQVIA, o mercado farmacêutico cresceu 11,6% no 1T26; sem o GLP-1, teria crescido 7,9%.

Metodologia e limitações

  • Volume: SNGPC (Anvisa), vendas escrituradas em farmácia, convertidas em tratamentos-mês equivalentes (método na nota "GLP-1: a caneta nacional chegou e o mercado cresceu em vez de trocar de dono"). Médias mensais por trimestre; julho e agosto como prévia do 3T26. Setembro, publicado parcial, fica fora.
  • Companhias: releases, apresentações e comunicados arquivados na CVM (sistema IPE) e transcrições de teleconferência publicadas nos sites de relações com investidores, 1T26 e 2T26. Cada número foi conferido na página do documento. Números de consultorias (IQVIA, CloseUp) são citados como a companhia os divulgou.
  • Comparação: as redes medem receita e preço de formas diferentes (receita bruta, venda por dia, índices); o volume da RD Saúde é implícito. A base da Pague Menos para tirzepatida é maio, não o 1T26.
  • Geografia: fabricante inferido pela apresentação no SNGPC; UF da venda.
  • Preços da fabricante original: comunicado da Novo Nordisk de 28/05/2026 sobre preços até 50% menores para a semaglutida.
  • Conteúdo informativo, sem recomendação de investimento.

Correções

11/10/2026: revisados perímetros, unidades, cobertura e limites de interpretação; retiradas inferências não sustentadas pelas bases.

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