Pular para o conteúdo
Explorar Óleo & Gás

Óleo & Gás›Gás natural·30 SET 2026

Gás: 8 de cada 10 m³ a mais voltaram para o reservatório

O Brasil produziu 202 milhões de m³ de gás por dia nos 12 meses até agosto de 2026, 65% a mais que em 2019. Quase todo o aumento foi reinjetado nos próprios reservatórios: 88% contando o CO₂ que sobe junto, 82% só de gás natural. O gás que chega ao mercado cresceu 4,4 milhões de m³ por dia no período.

Nesta nota
  1. Principais conclusões
  2. Quinze anos de gás
  3. Para onde foi o gás a mais
  4. Campo a campo
  5. Os caminhos até a costa
  6. Reinjetar, consumir, importar
  7. Os números
  8. O que observar
  9. Metodologia e limitações
  10. Correções

Principais conclusões

A nota em 30 segundos

01

Mais gás, quase nada a mais no mercado.

Nos 12 meses até agosto de 2026, o Brasil produziu 202,0 milhões de m³ de gás por dia, contra 122,5 milhões em 2019. O gás disponível ao mercado passou de 60,8 para 65,2 milhões.

02

8 de cada 10 m³ a mais voltaram para o reservatório, mesmo sem contar o CO₂.

Do aumento de 79,4 milhões de m³ por dia, 70,2 milhões foram reinjetados (88%). 29,0 milhões eram CO₂ separado do gás na plataforma; descontado o CO₂, 82% do gás natural a mais foi reinjetado.

03

Mero devolve quase tudo.

Em 2026, as plataformas de Mero reinjetaram 94% do que produziram, e 47% do volume reinjetado era CO₂. Mesmo sem o CO₂, 89% do gás natural de Mero voltou ao reservatório. Em Búzios foram 61%; em Tupi, 36%.

04

A reinjeção superou a demanda comercial medida pelo MME.

De janeiro a junho de 2025, o Brasil reinjetou 65,2 milhões de m³ de gás natural por dia, já sem o CO₂, 107% da demanda comercial de gás medida pelo MME (61,2 milhões, segundo o MME) e 3,8 vezes a importação registrada pelo MME.

05

O gás disponível no mar caiu de 2019 a 2024 e depois cresceu.

O gás disponível nos campos marítimos foi de 48,2 milhões de m³ por dia em 2019 para 35,2 milhões em 2024, enquanto a produção crescia. Em 2026 (janeiro a agosto), depois da entrada do gasoduto Rota 3 e da unidade de processamento de Itaboraí, voltou a 48,8 milhões.

Quinze anos de gás

A produção de gás natural do Brasil cresceu com as plataformas do pré-sal na Bacia de Santos. O gás que chega ao mercado quase não saiu do lugar. A diferença fica no mar: boa parte do gás que sobe com o petróleo é comprimida e injetada de volta no reservatório. A ANP registra essa injeção como recuperação secundária ou armazenamento.

Gás natural no Brasil: produzido, reinjetado e disponível ao mercado, milhões de m³ por dia (média de 12 meses)
050100150200250jan/12jan/14jan/16jan/18jan/20jan/22jan/24jan/26Produzido 202Reinjetado 113Disponível ao mercado 65ProduzidoReinjetadoDisponível ao mercado

Volumes como a ANP publica: produzido e reinjetado incluem o CO₂ que sobe com o gás e volta ao reservatório. Disponível: o que sobra depois da reinjeção, da queima e perda e do consumo nas instalações de produção.

Fonte: ANP, balanço de produção de petróleo e gás natural por estado e localização; coleta de 2026-09-30. Elaboração Hint-data.

Ver os dados
12 meses atéProduzidoReinjetadoDisponível
ago/1165,411,538,9
ago/1268,610,143,8
ago/1375,79,451,8
ago/1482,614,253,1
ago/1594,520,957,5
ago/1699,229,353,3
ago/17108,828,463,1
ago/18111,932,162,6
ago/19115,939,058,6
ago/20129,652,858,6
ago/21131,759,155,1
ago/22134,764,752,1
ago/23145,174,552,1
ago/24151,682,350,1
ago/25169,692,056,5
ago/26202,0113,465,2

A reinjeção não é nova: em 2000, a ANP já registrava 7,5 milhões de m³ por dia reinjetados, 21% da produção. O que mudou foi a escala. Em 2019, 35% do gás produzido voltava para o subsolo; nos 12 meses até agosto de 2026, foram 56%.

Para onde foi o gás a mais

Para onde foi o aumento da produção de gás, 2019 → 12 meses até ago/26, milhões de m³ por dia
0501001502002502019: 122,5122,52019CO₂: 29,0+29,0CO₂Gás natural: 41,1+41,1Gás naturalOutros usos: 4,8+4,8Outros usosDisponível: 4,4+4,4DisponívelAtual: 202,0202,0Atual

Barras: produção total, de 2019 aos 12 meses mais recentes. CO₂ e gás natural: parcelas reinjetadas. Disponível: variação do gás disponível ao mercado. Outros usos: consumo nas instalações, queima e perda e ajuste do balanço aparecem juntos no gráfico e separados na tabela. Ajuste do balanço: desde 2023 os destinos publicados pela ANP somam um pouco mais que a produção (ver Metodologia).

Fonte: ANP, balanço de produção de petróleo e gás natural por estado e localização; coleta de 2026-09-30. Elaboração Hint-data. CO₂: ANP, produção por poço (igual à série “descontando CO₂” do Boletim Mensal da Produção).

Ver os dados
Item201912 meses até ago/26VariaçãoParcela do aumentoParcela do aumento do gás natural
Produção122,5202,079,4100%—
Produção sem CO₂ (gás natural)115,9166,350,463%—
Reinjetado (total)43,2113,470,288%—
CO₂ reinjetado6,735,729,037%—
Gás natural reinjetado36,677,741,152%82%
Consumo nas instalações14,218,84,66%9%
Queima e perda4,45,20,91%2%
Disponível ao mercado60,865,24,46%9%
Ajuste do balanço0,0-0,7-0,7-1%—

O CO₂ explica uma parte. O gás do pré-sal sobe com uma proporção alta de gás carbônico, que é separado na plataforma e reinjetado, e o volume de CO₂ reinjetado passou de 6,7 para 35,7 milhões de m³ por dia. Mas o CO₂ não explica o resto: descontado ele, a produção de gás natural cresceu 50,4 milhões de m³ por dia desde 2019, e 41,1 milhões (82%) também foram reinjetados. O consumo nas próprias plataformas, que usam gás para gerar energia e movimentar compressores, subiu 4,6 milhões. A queima e perda ficou em 2,6% da produção.

Campo a campo

A reinjeção se concentra nos campos maiores e mais novos. Em Mero, as plataformas devolvem ao reservatório quase todo o gás que produzem. Em Tupi, onde as plataformas do mapa operam desde 2010, 64% do gás natural não é reinjetado.

Parcela do gás reinjetada nos maiores campos produtores, com e sem o CO₂, 2026 (janeiro a agosto)
0255075100MeroCom o CO₂ · Mero: 94%94%Só gás natural · Mero: 89%89%TupiCom o CO₂ · Tupi: 41%41%Só gás natural · Tupi: 36%36%BúziosCom o CO₂ · Búzios: 68%68%Só gás natural · Búzios: 61%61%SapinhoáCom o CO₂ · Sapinhoá: 51%51%Só gás natural · Sapinhoá: 37%37%JubarteCom o CO₂ · Jubarte: 0%0%Só gás natural · Jubarte: 0%0%SépiaCom o CO₂ · Sépia: 54%54%Só gás natural · Sépia: 36%36%BacalhauCom o CO₂ · Bacalhau: 84%84%Só gás natural · Bacalhau: 84%84%AtapuCom o CO₂ · Atapu: 90%90%Só gás natural · Atapu: 87%87%BerbigãoCom o CO₂ · Berbigão: 76%76%Só gás natural · Berbigão: 68%68%RoncadorCom o CO₂ · Roncador: 0%0%Só gás natural · Roncador: 0%0%MexilhãoCom o CO₂ · Mexilhão: 0%0%Só gás natural · Mexilhão: 0%0%LapaCom o CO₂ · Lapa: 97%97%Só gás natural · Lapa: 97%97%Com o CO₂Só gás natural

Campos em ordem de produção de gás. Só gás natural: descontado o CO₂ do volume produzido e do reinjetado. Campos que a ANP divide em áreas (Búzios, Mero, Tupi, Sapinhoá e outros) aparecem somados.

Fonte: ANP, produção por poço no mar e relação de plataformas em operação; coleta de 2026-10-06. Elaboração Hint-data.

Ver os dados
CampoProduzido (milhões de m³/d)Reinjetado (milhões de m³/d)% reinjetado% de gás natural reinjetadoCO₂ no gás reinjetado
Mero47,644,594%89%47%
Tupi42,917,741%36%19%
Búzios40,927,868%61%25%
Sapinhoá5,83,051%37%45%
Jubarte5,60,00%0%—
Sépia4,72,554%36%50%
Bacalhau4,13,584%84%0%
Atapu4,03,790%87%28%
Berbigão3,82,876%68%33%
Roncador3,00,00%0%—
Mexilhão2,80,00%0%—
Lapa2,32,397%97%27%
As plataformas das bacias de Santos e Campos e a parcela do gás natural que cada uma reinjeta, 2026
FPSO MARECHAL DUQUE DE CAXIAS: 12,8 milhões de m³/d; 90% reinjetado, sem CO₂FPSO SEPETIBA: 12,2 milhões de m³/d; 89% reinjetado, sem CO₂FPSO GUANABARA: 12,1 milhões de m³/d; 87% reinjetado, sem CO₂FPSO ALMIRANTE TAMANDARE: 10,0 milhões de m³/d; 91% reinjetado, sem CO₂FPSO ALEXANDRE DE GUSMÃO: 7,7 milhões de m³/d; 90% reinjetado, sem CO₂FPSO ALMIRANTE BARROSO: 6,2 milhões de m³/d; 63% reinjetado, sem CO₂PETROBRAS 75: 6,1 milhões de m³/d; 56% reinjetado, sem CO₂FPSO CIDADE DE MANGARATIBA: 5,5 milhões de m³/d; 18% reinjetado, sem CO₂FPSO CIDADE DE SAQUAREMA: 5,5 milhões de m³/d; 30% reinjetado, sem CO₂FPSO CIDADE DE ITAGUAÍ: 5,4 milhões de m³/d; 39% reinjetado, sem CO₂FPSO CIDADE DE MARICÁ: 5,4 milhões de m³/d; 32% reinjetado, sem CO₂PETROBRAS 74: 5,4 milhões de m³/d; 53% reinjetado, sem CO₂FPSO CARIOCA: 5,4 milhões de m³/d; 36% reinjetado, sem CO₂PETROBRAS 69: 5,3 milhões de m³/d; 43% reinjetado, sem CO₂PETROBRAS 66: 5,3 milhões de m³/d; 45% reinjetado, sem CO₂PETROBRAS 77: 5,1 milhões de m³/d; 42% reinjetado, sem CO₂PETROBRAS 70: 4,9 milhões de m³/d; 87% reinjetado, sem CO₂PETROBRAS 67: 4,8 milhões de m³/d; 42% reinjetado, sem CO₂PETROBRAS 76: 4,7 milhões de m³/d; 41% reinjetado, sem CO₂FPSO BACALHAU: 4,1 milhões de m³/d; 84% reinjetado, sem CO₂FPSO CIDADE DE PARATY: 4,1 milhões de m³/d; 50% reinjetado, sem CO₂PETROBRAS 68: 3,8 milhões de m³/d; 68% reinjetado, sem CO₂FPSO CIDADE DE SÃO PAULO: 3,3 milhões de m³/d; 39% reinjetado, sem CO₂FPSO PIONEIRO DE LIBRA: 2,8 milhões de m³/d; 83% reinjetado, sem CO₂PLATAFORMA DE MEXILHÃO: 2,8 milhões de m³/d; 0% reinjetado, sem CO₂PETROBRAS 71: 2,5 milhões de m³/d; 87% reinjetado, sem CO₂FPSO CIDADE DE ILHABELA: 2,5 milhões de m³/d; 33% reinjetado, sem CO₂FPSO MARIA QUITÉRIA: 2,4 milhões de m³/d; 0% reinjetado, sem CO₂PETROBRAS 58: 2,4 milhões de m³/d; 0% reinjetado, sem CO₂PETROBRAS 78: 2,3 milhões de m³/d; 64% reinjetado, sem CO₂FPSO CIDADE DE CARAGUATATUBA - CCG (MV-27): 2,3 milhões de m³/d; 97% reinjetado, sem CO₂PETROBRAS 62: 2,3 milhões de m³/d; 0% reinjetado, sem CO₂PLATAFORMA DE MANATI: 1,8 milhões de m³/d; 0% reinjetado, sem CO₂FPSO CIDADE DE ANGRA DOS REIS: 1,5 milhões de m³/d; 30% reinjetado, sem CO₂UTG Caraguatatuba (20)UTG Cabiúnas (24,6)Itaboraí (Boaventura) (21)Rota 1Rota 2Rota 3

Cada círculo é uma plataforma, na posição da relação de plataformas da ANP; a área é proporcional ao gás produzido em 2026 (janeiro a agosto), plataformas com pelo menos 1 milhão de m³/d. Cor pela parcela do gás natural (sem CO₂) reinjetada. Bronze: 85% ou mais; azul: 50% a 85%; verde: menos de 50%. Linhas cinza: gasodutos de escoamento do pré-sal até a costa, no traçado do WebMap da EPE (relação de dutos da ANP; Rota 3, Petrobras). Quadrados: unidades de processamento que recebem esse gás, com a capacidade em milhões de m³ por dia (Anuário Estatístico da ANP 2025, via EPE).

Fonte: ANP, produção por poço no mar e relação de plataformas em operação; coleta de 2026-10-06. Elaboração Hint-data.

Ver os dados
PlataformaCamposInícioProduzido (milhões de m³/d)% reinjetado% de gás natural reinjetado
FPSO Marechal Duque De CaxiasAnC_MERO / MERO202412,894%90%
FPSO SepetibaAnC_MERO / MERO202312,294%89%
FPSO GuanabaraAnC_MERO / MERO202112,193%87%
FPSO Almirante TamandareBÚZIOS / BÚZIOS_ECO / TAMBUATÁ202510,093%91%
FPSO Alexandre De GusmãoAnC_MERO / MERO20257,794%90%
FPSO Almirante BarrosoBÚZIOS / BÚZIOS_ECO / TAMBUATÁ20236,270%63%
Petrobras 75BÚZIOS / BÚZIOS_ECO / TAMBUATÁ20186,163%56%
FPSO Cidade De MangaratibaTUPI20145,518%18%
FPSO Cidade De SaquaremaAnC_TUPI / SUL DE TUPI / TUPI20165,537%30%
FPSO Cidade De ItaguaíTUPI20155,439%39%
FPSO Cidade De MaricáAnC_TUPI / SUL DE TUPI / TUPI20165,439%32%
Petrobras 74BÚZIOS / BÚZIOS_ECO / TAMBUATÁ20185,459%53%
FPSO CariocaSÉPIA / SÉPIA LESTE / SÉPIA_ECO20215,454%36%
Petrobras 69AnC_TUPI / SUL DE TUPI / TUPI20185,352%43%
Petrobras 66AnC_TUPI / SUL DE TUPI / TUPI20175,350%45%
Petrobras 77BÚZIOS / BÚZIOS_ECO / TAMBUATÁ20195,152%42%
Petrobras 70AnC_NORTE_ATAPU / ATAPU / ATAPU_ECO / OE20204,990%87%
Petrobras 67AnC_TUPI / SUL DE TUPI / TUPI20184,847%42%
Petrobras 76BÚZIOS / BÚZIOS_ECO / TAMBUATÁ20184,750%41%
FPSO BacalhauBACALHAU / BACALHAU NORTE20254,184%84%
FPSO Cidade De ParatyAnC_TUPI / SUL DE TUPI / TUPI20124,156%50%
Petrobras 68BERBIGÃO / NORTE DE BERBIGÃO / SUL DE BE20183,876%68%
FPSO Cidade De São PauloNORDESTE DE SAPINHOÁ / NOROESTE DE SAPIN20133,352%39%
FPSO Pioneiro De LibraAnC_MERO / MERO20172,890%83%
Plataforma De MexilhãoMEXILHÃO20112,80%0%
Petrobras 71ITAPU / ITAPU_ECO20232,587%87%
FPSO Cidade De IlhabelaNORDESTE DE SAPINHOÁ / NOROESTE DE SAPIN20142,550%33%
FPSO Maria QuitériaAnC_Jubarte_Nordeste / AnC_Jubarte_Sudoe20242,40%0%
Petrobras 58AnC_Jubarte_Nordeste / AnC_Jubarte_Sudoe20142,40%0%
Petrobras 78BÚZIOS / BÚZIOS_ECO / TAMBUATÁ20252,370%64%
FPSO Cidade De Caraguatatuba - Ccg (Mv-27)LAPA20162,397%97%
Petrobras 62RONCADOR20142,30%0%
Plataforma De ManatiMANATI20071,80%0%
FPSO Cidade De Angra Dos ReisAnC_TUPI / SUL DE TUPI / TUPI20101,534%30%

As plataformas que reinjetam 85% ou mais do seu gás natural produziram 38% do gás das plataformas do mapa em 2026.

Os caminhos até a costa

O gás do pré-sal da Bacia de Santos que não é reinjetado nem consumido nas plataformas chega à costa por três gasodutos de escoamento, até três unidades de processamento. Pela nota técnica da EPE sobre as tarifas de escoamento e processamento (junho de 2025), a Rota 1, até Caraguatatuba (SP), tem capacidade de 10 milhões de m³ por dia e opera desde 2011; a Rota 2, até Cabiúnas, em Macaé (RJ), tem 16 milhões e opera desde 2016; a Rota 3, até o Complexo de Energias Boaventura, em Itaboraí (RJ), tem 18 milhões. A Petrobras anunciou em 11 de novembro de 2024 que a unidade de processamento de Itaboraí já operava comercialmente com o primeiro módulo, de 10,5 milhões de m³ por dia, de um total previsto de 21 milhões.

Gás natural disponível nos campos marítimos, milhões de m³ por dia
0102030405060jan/19jan/20jan/21jan/22jan/23jan/24jan/25jan/261Disponível no mar 52,0

(1) Novembro de 2024: a Petrobras anuncia a operação comercial da unidade de processamento de Itaboraí, na chegada da Rota 3. Disponível: produção menos reinjeção, queima e perda e consumo nas plataformas; inclui todos os campos marítimos, não só o pré-sal.

Fonte: ANP, balanço de produção de petróleo e gás natural por estado e localização; coleta de 2026-09-30. Elaboração Hint-data.

Ver os dados
MêsDisponível no marProduzido no marReinjetado no mar
jan/1950,192,924,8
fev/1947,290,326,7
mar/1947,991,826,5
abr/1946,293,829,8
mai/1949,298,832,6
jun/1943,789,830,2
jul/1946,799,736,8
ago/1949,8108,141,7
set/1950,4103,136,1
out/1949,5105,639,2
nov/1948,6110,445,0
dez/1948,5112,146,6
jan/2049,8112,044,6
fev/2046,7106,843,2
mar/2038,7104,048,4
abr/2041,0106,649,3
mai/2038,998,343,7
jun/2044,4110,249,0
jul/2043,4111,650,7
ago/2043,6114,252,8
set/2041,2107,349,4
out/2037,9106,351,8
nov/2037,9102,849,0
dez/2040,8103,546,9
jan/2143,6111,251,3
fev/2139,9109,353,1
mar/2140,3109,152,7
abr/2143,0113,554,2
mai/2142,3111,953,5
jun/2141,5111,954,5
jul/2138,1114,859,7
ago/2136,9111,958,8
set/2130,6109,061,5
out/2138,9106,751,1
nov/2143,8111,851,2
dez/2141,4111,653,8
jan/2241,6120,060,9
fev/2240,6116,659,5
mar/2242,2116,858,2
abr/2242,0118,460,2
mai/2237,1114,159,8
jun/2236,8108,655,5
jul/2238,4114,659,8
ago/2238,7117,962,7
set/2241,5120,862,4
out/2240,8126,669,0
nov/2236,9118,965,0
dez/2238,3118,162,8
jan/2338,5123,166,8
fev/2338,9127,771,4
mar/2337,7119,164,7
abr/2337,7119,765,1
mai/2340,1125,168,1
jun/2338,5126,670,4
jul/2340,5132,373,5
ago/2339,7127,369,8
set/2341,9137,777,8
out/2335,9131,477,5
nov/2340,7138,179,2
dez/2337,2133,778,6
jan/2435,6129,374,5
fev/2439,4128,469,1
mar/2427,5125,378,2
abr/2433,1117,466,9
mai/2435,0125,573,1
jun/2435,9130,377,0
jul/2435,4126,974,4
ago/2437,5133,879,4
set/2438,0142,086,5
out/2437,1131,277,2
nov/2434,1132,378,2
dez/2434,5135,881,0
jan/2536,6137,781,7
fev/2536,8138,381,6
mar/2535,6145,588,5
abr/2542,6146,383,6
mai/2542,3150,989,2
jun/2543,7155,089,8
jul/2546,5164,396,1
ago/2549,2161,290,8
set/2547,6163,495,7
out/2544,3168,8102,5
nov/2542,7156,593,1
dez/2546,3168,1100,3
jan/2645,1168,1101,2
fev/2649,9173,5100,8
mar/2651,7179,2104,7
abr/2648,1182,0111,6
mai/2646,6183,2113,3
jun/2646,0190,3119,8
jul/2650,7190,8117,6
ago/2652,0194,8120,6

O gás disponível no mar vinha caindo desde 2019, mesmo com a produção em alta, enquanto a reinjeção crescia mais depressa. A virada aparece no balanço da ANP alguns meses depois da Rota 3. O gás disponível no mar ficou entre 34 e 39 milhões de m³ por dia de janeiro de 2024 a março de 2025 e subiu para 43 milhões em abril de 2025. Em 2026, a média é de 49 milhões. Nos 12 meses até agosto de 2026, 37% do aumento da produção de gás natural em relação aos 12 meses imediatamente anteriores correspondeu a aumento do volume disponível, contra 9% no período desde 2019.

Reinjetar, consumir, importar

Gás natural reinjetado (sem CO₂), demanda comercial e importação, milhões de m³ por dia (média do ano)
02550751002019202020212022202320242025(jan–jun)Gás natural reinjetado · 2019: 37Gás natural reinjetado · 2020: 44Gás natural reinjetado · 2021: 48Gás natural reinjetado · 2022: 53Gás natural reinjetado · 2023: 59Gás natural reinjetado · 2024: 62Gás natural reinjetado · 2025 (jan–jun): 65Demanda comercial, MME · 2019: 78Demanda comercial, MME · 2020: 72Demanda comercial, MME · 2021: 94Demanda comercial, MME · 2022: 68Demanda comercial, MME · 2023: 62Demanda comercial, MME · 2024: 66Demanda comercial, MME · 2025 (jan–jun): 61Importado · 2019: 27Importado · 2020: 26Importado · 2021: 46Importado · 2022: 24Importado · 2023: 17Importado · 2024: 22Importado · 2025 (jan–jun): 17Gás natural reinjetado 65Demanda comercial, MME 61Importado 17Gás natural reinjetadoDemanda comercial, MMEImportado

A série histórica do balanço do MME vai até junho de 2025. Demanda comercial: geração elétrica, indústria, refinarias e fertilizantes no balanço do MME. Não inclui o consumo próprio das instalações de produção. Importação: Bolívia, Argentina e GNL.

Fonte: MME, Boletim Mensal de Acompanhamento da Indústria de Gás Natural (série histórica do balanço), e ANP. Elaboração Hint-data.

Ver os dados
AnoGás natural reinjetado (ANP)Demanda comercial (MME)Importado (MME)
201936,677,926,9
202043,772,126,3
202148,393,646,2
202252,867,924,0
202358,662,417,0
202461,866,222,1
2025 (jan–jun)65,261,217,0

De janeiro de 2024 a junho de 2025, o gás natural reinjetado superou a demanda comercial de gás medida pelo MME em 8 dos 18 meses, 4 deles no primeiro semestre de 2025. Um terço do que volta ao subsolo é CO₂: em agosto de 2026, dos 126,9 milhões de m³ reinjetados por dia, 40,0 milhões eram CO₂, segundo o Boletim Mensal da Produção da ANP.

Os números

Balanço do gás natural no Brasil, milhões de m³ por dia (média do período):

Ano Produzido Reinjetado dos quais CO₂ Consumo nas instalações Queima e perda Disponível % de gás natural reinjetado
2019 122,5 43,2 6,7 14,2 4,4 60,8 32%
2020 127,5 54,7 11,0 14,6 3,4 54,8 38%
2021 133,8 60,8 12,5 14,3 3,4 55,2 40%
2022 137,9 68,4 15,6 14,5 3,5 51,5 43%
2023 149,8 78,8 20,2 15,6 3,9 52,1 45%
2024 153,2 83,2 21,4 15,8 4,3 50,6 47%
2025 179,2 97,5 29,6 17,6 5,1 59,8 45%
2026 (jan–ago) 207,7 118,1 37,0 19,3 5,3 65,6 48%

O que observar

  • A parcela que chega ao mercado, agora que a Rota 3 opera. A ANP publica o balanço por estado todo mês, com cerca de um mês de defasagem.
  • Os campos que ainda vão crescer. Búzios e Mero recebem novas plataformas; a parcela de gás reinjetada por elas define quanto do gás novo chega à costa.
  • O próximo boletim do MME, que permite comparar a reinjeção com a importação e o consumo depois de junho de 2025.

Metodologia e limitações

  • Fontes: balanço mensal do gás natural da ANP por estado e localização (produção, reinjeção, queima e perda, consumo próprio e disponível), até agosto de 2026; produção por poço no mar e relação de plataformas da ANP, até agosto de 2026; Boletim Mensal da Produção da ANP; boletim mensal do gás natural do MME, até junho de 2025; WebMap da EPE, Anuário Estatístico da ANP 2025, nota técnica da EPE de junho de 2025 e Petrobras, para a infraestrutura.
  • Conferência: o balanço da ANP bate com o do MME de janeiro de 2019 a junho de 2025, com diferença de até 0,07% em um mês na produção e na reinjeção.
  • CO₂: a produção e a reinjeção publicadas incluem o CO₂ que sobe com o gás. "Gás natural" é o volume sem o CO₂, conferido com o Boletim Mensal da Produção. A separação só é possível a partir de 2019, e por isso a comparação parte daí.
  • Limitações: desde 2023, os destinos publicados pela ANP somam de 0,3% a 0,6% a mais que a produção, sem explicação na documentação; usamos os números como publicados. Nos recortes por campo e plataforma, a reinjeção fica até 2,2% abaixo do total nacional em 2023–2025. Capacidade de escoamento, de processamento e de entrada na malha são medidas diferentes; para a Rota 2, a Petrobras informa "até 20 milhões" de m³ por dia e a EPE, 16 milhões.
  • Unidades: milhões de m³ por dia, nas condições de referência da ANP. Médias ponderadas pelos dias. A comparação usa 2019 e os 12 meses mais recentes. Reinjeção superior à demanda comercial não significa oferta recuperável: escoamento, tratamento e operação do reservatório impõem limitações.

Correções

11/10/2026: a comparação dos 12 meses até julho de 2026 usava uma base de dois anos antes. Com os 12 meses imediatamente anteriores, a parcela do crescimento disponível ao mercado era 42%, e não 44%. Corrigimos o período, explicitamos o perímetro da demanda do MME e harmonizamos as médias pelos dias. Esta revisão incorpora os dados de agosto onde disponíveis.

Como você quer continuar?

Continue lendo

Mercado de gás: de 5 para 37 empresas usando a malha desde 2021

Em janeiro de 2021, 5 empresas movimentaram gás nos gasodutos de transporte do país; em agosto de 2026, 37. A ANP registrou 1.396 contratos de compra e venda de gás assinados em 2025, contra 39 em 2020, com 57 vendedores diferentes. Até 2019, 16 das 18 distribuidoras com contrato registrado só tinham a Petrobras como vendedora; desde 2023, a Cegás fechou contratos com 16 supridores.

Óleo & Gás · Gás natural · 7 OUT 2026

Térmicas a gás: em 2022, quase nada era por preço; em 2025, um terço

As usinas a gás geraram em média 4.139 MW em 2025, 97% a mais que em 2023. E mudaram de papel: em 2022, só 0,4% da geração a gás foi por mérito, quando a usina é despachada pela ordem de custo do sistema; em 2025, foram 34%. Em 2026, o custo variável do quartil mais caro das térmicas a gás subiu 73%, no mesmo período em que o gás na Europa encareceu.

Óleo & Gás · Gás natural · 30 SET 2026

Dynacom: 34 passagens inferidas em Ormuz, 6 lacunas de AIS mensuráveis

Eventos de 14 navios indicam 34 passagens por Ormuz até 04/10/2026. Só 6 têm posições horárias dos dois lados para delimitar uma lacuna de AIS. Kerala e Leader concentram 35,3% das passagens inferidas.

Óleo & Gás · Geopolítica · 8 OUT 2026